quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A falência estratégica do marketing político
Nesse último pleito o que se observou de estratégia digital foi o arroz com feijão e com cara e gosto de comida requentada. Ação que movimentasse as redes ou mesmo gerasse leads para os candidatos não foram realizadas. Afinal criar site e abrir perfis em redes sociais é o básico para qualquer candidato a síndico de prédio.
Onde ficaram os hangouts dos candidatos nanicos ou mesmo dos grandes candidatos? Onde esteve a utilização do Instagram, Tumblr e outras redes? Será que a onda verde, da ex candidata a presidência Marina da Silva, não deixou nenhum ensinamento?
Inteligência de mimeógrafo. Conversei com vários publicitários para tentar identificar e entender os motivos que levaram as agências a não utilizar as mídias digitais como um dos principais veículos de campanha. Ouvi muitas desculpas e a principal é que as campanhas estavam com poucas verbas. Entretanto, no site do TSE se observa exatamente o contrário, não teve nenhum candidato eleito, nas principais cidades, que teve verba inferior a R$ 50 milhões.
Alguns citaram o game produzido pelo candidato derrotado José Serra como um exemplo de como a inteligência digital foi utilizada para a produção de um conteúdo que passasse a mensagem e ao mesmo tempo atingisse o público nos ambientes onde eles costumam interagir.
O outro lado é que a gamification é um recurso de publicitários desesperados, eles utilizam os games sociais como recurso quando observam que toda a campanha está naufragando. O resultado dessa "brilhante" estratégia foi a rejeição ao candidato ter aumentado e a página que hospedava o game ter sido retirada do ar por determinação do TSE.
Com menos visibilidade teve a campanha vitoriosa do candidato a prefeitura de Salvador ACM Neto, mas somente nas urnas, nas redes sociais a campanha foi tão ou mais tradicional que qualquer outro pleito. Muitos falaram que a "estratégia" foi monitorar as redes sociais, identificar os principais assuntos que eram falados pela oposição e preparar conteúdo que foi divulgado nas redes durante os debates, o objetivo era desconstruir os argumentos da oposição.
Embora, esteja sendo alardeada como uma grande estratégia de campanha, não se pode esquecer que esse recurso foi utilizado na campanha de 2004 pelo comitê de José Serra, contra a candidata Marta Suplicy, a única diferença foi a plataforma utilizada: o Orkut.
A análise de ambas as campanhas mostram que os publicitários e marketeiros políticos estão apenas adaptando velhos modelos para os novos ambientes, mas sempre como um subrecurso ou para a parte podre da campanha. Nas eleições de 2012 não existiu inteligência digital, o que foi utilizado é o monitoramento de conversas para disseminação de um conteúdo que já seria produzido e enviado via mala direta ou para exibição nos programas de TV.
Dentro desse cenário tão distante da nova configuração política que já viu a necessidade de renovação de quadros e discursos observa-se exatamente o contrário no lado publicitário: o tradicionalismo e o medo da renovação e por esse motivo que um modelo de campanha de Obama, em 2008, está cada vez mais distante da realidade brasileira.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
TSE define regras para utilização de redes sociais
Este ano a força das redes sociais foi considerada e respeitada, para que políticos não aproveitassem desses ambientes para tentar denegrir seus concorrentes e eleitores tivessem a oportunidade de expressar livremente sua opinião o TSE estipulou um conjunto de regras que pode ser conferido no site da Instituição LINK.
Entretanto, fica apenas uma pergunta: com a complexidade das redes e diversidade de canais como o TSE vai conseguir punir qualquer candidado? Será que somente aqueles com meritocracia e que consigam ter seus posts repercutidos pela grande massa virtual vão ser alvo da legislação?
Legislação para uso das redes sociais duranta as eleições:
Blogs:
- Está proibido o anonimato;
- Quem criar uma página para apoiar algum candidato nas eleições deverá ter sua identificação claramente exposta no blog, responderá por qualquer excesso que ocorra no site e será denunciado por qualquer desvio destas condições;
- Os textos postados pelo dono do blog quanto os comentários que são feitos na página têm o mesmo peso na consideração do teor ofensivo. Ou seja, o dono do blog será considerado como responsável solidário pelo conteúdo publicado na página, já que ele exerce a moderação;
- Todo e qualquer tipo de site, seja blog ou não, que não o do partido, está proibido de inserir qualquer tipo de propaganda política – como, por exemplo, banners.
Twitter e outras redes sociais
- As regras válidas para os blogs são válidas também para outras ferramentas de comunicação, como o Twitter e também redes sociais. Ou seja, o autor de uma comunidade no Facebook ou no Orkut será responsável pelos textos publicados naquele espaço e também em moderar os comentários emitidos.
E-mails
- As eleições de 2010 no Brasil contam com uma lei específica de combate ao spam. A lei diz diz que os partidos podem criar um e-mail marketing, desde que qualquer mensagem eletrônica permita ao destinatário solicitar o seu descadastramento. E isso tem de ser cumprido em até 48 horas do recebimento da solicitação;
- A venda de mailing aos partidos está proibida.
Direito de Resposta
- O TSE implementará o direito de resposta a um candidato que se sinta prejudicado nos meios virtuais.
Provedores
- Os provedores poderão ser acionados pelo TSE como responsáveis solidários. Ou seja, os provedores, de alguma forma, terão de ser ágeis e se preocupar mais em monitorar os blogs. No caso de algum problema, eles terão que ter rapidez para retirar o conteúdo considerado ofensivo pelo TSE.
Com informações do: TSE, IDGNow e A quinta onda
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Aprovada a micro Reforma Eleitoral
Agora, o projeto de lei só precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado no Diário Oficial da União até o dia 3 de outubro, um ano antes do pleito. Se passar da data, a lei só será válida para as eleições municipais, em 2012.
O projeto foi feito pela Câmara dos Deputados, e havia sido aprovado em 8 de julho. Depois disso, foi encaminhado ao Senado que aprovou o projeto na terça-feira, após fazer algumas modificações. Depois disso o texto voltou para a Câmara que derrubou muitas das modificações do Senado. Abaixo, algumas das principais inovações da reforma eleitoral.
O que mudou:
Foi criado o voto em trânsito nas capitais para as eleições presidenciais a partir do ano que vem. Também fica criado o voto impresso a partir das eleições de 2014. O texto aprovado proíbe nos três meses antes das eleições a participação de candidatos em inaugurações de obras públicas - o projeto do Senado estipulava esse prazo em quatro meses, além de proibir propaganda institucional do governo sobre as obras, no mesmo período. Já os programas sociais, como o Bolsa Família, ficaram sem nenhum tipo restrição - os senadores haviam proibido a ampliação de benefícios e criação de novos programas em ano eleitoral.
Sob o argumento de que era inconstitucional, os deputados derrubaram emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que previa a concessão de registro de candidatura aos candidatos que comprovem idoneidade moral e reputação ilibada. O objetivo da proposta seria de impedir a candidatura dos "fichas sujas". "Essa posição é ridícula. Esse artigo não pode ser levado a sério porque não tem nenhuma base objetiva. Parece mais uma proposta de quem quer aparecer com uma posição pirotécnica", argumentou o líder do PT, deputado Cândido Vaccarezza (SP).
Foi rejeitada também proposta para a realização de eleições diretas para as vagas de governadores e prefeitos cassados por crime eleitoral e a emenda do Senado que estabelecia a participação de dois terços dos candidatos a eleições majoritárias, que tenham pelos menos dez deputados federais. "Na verdade isso é uma cláusula de barreira e, portanto, é inconstitucional", justificou o deputado Flávio Dino (PC do B-MA), relator da reforma eleitoral.
Com informações da Agência Estado e Portal Info
sábado, 3 de janeiro de 2009
O ano da baleia
Catástrofes naturais, economia instável, bolsas caindo, bancos quebrando, uma mulher e um negro disputando a presidência da maior potencia do mundo, que no final mostro-se tão frágil como qualquer tigre asiático e finalmente a eleição do primeiro presidente negro, em um país que fala de democracia, mas ainda não conseguiu abolir o racismo e mantém um sistema de leis que viola qualquer convenção e tratado referente aos direitos humanos.Sem contar da primeira-dama que não se envergonhou das suas fotos nuas, muito menos as celebridades tiveram vergonha de entrar e sair de clínicas de reabilitação.
Estes foram apenas alguns dos fatos que marcaram o ano de 2008, que terminou com tantos acontecimentos e mudanças cujos reflexos vão ser sentidos durante vários anos.
Mas, mesmo com uma espiral ou caleidoscópio de eventos, um único ponto em comum vai servir como parâmetro de comparação: a ascensão e consolidação da internet como veículo de massa. Onde o conceito de aldeia global e cutura de massas se mostrou mais atual do que muitos apocalípticos poderiam imaginar.
Dentro deste vasto mundo cibernético, apenas uma ferramenta conseguiu se destacar no meio deste turbilhão: o Twitter, um serviço de microblogging que criou um novo parâmetro para a comunicação mundial.
Por meio da ferramenta internautas de todo o mundo tomaram conhecimento em primeira mão dos Atentado em Bombaim, Terremoto em São Paulo, opiniões e posicionamento durante as eleições municipais em todo o Brasil, movimentação da bolsa, crise americana, novos produtos e serviços foram divulgados, O Twitter teve tanta importância na sociedade em 2008, que o governo pediu para a população parar de usar o twitter e divulgar a situação na Índia, a eleição de Barack Obama.
Mas tirando todo o aspecto sério também aconteceram muitas formas de diversão e interação: paródias com o padre que sumiu ao tentar voar com balões, falsos boatos de Steve Jobs no hospital, O Dia Internacional de Hablar Portunhol e o mais inusitado a mulher que estava no ginecologista durante o terremoto no sul da California.
Também não podemos esquecer as lendas urbanas, ou melhor, internéticas como o rapaz que foi preso por engano que twittou informando a situação. Os amigos perceberam que ele falava a verdade e foram socorrer o pobre coitado que acabou resolvendo o mal entendido. Embora, fato similar tenha ocorrido realmente com um estudante americano preso no Egito, muitas versões são encontradas na internet.
Com tanta informação correndo na velocidade dos acontecimentos muitas vezes o sistema apresentou sobrecarga e foi comum ficar fora do ar e na mesma onda que o a palavra "Twittar" virou verbo, a baleia, símbolo do sistema em momentos de sobrecarga, também virou referência para qualquer coisa que desse defeito.
Em resumo, no ano de 2008, vimos uma nova forma de fazer comunicação, marketing, política e interação surgir. Lógico. O Twitter vai ser aperfeiçoado, estudado, debatido e comentantado, mas por hora a única coisa que resta a saber é: "What are you doing?
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Efeito Obama e as eleições brasileiras
A mídia de uma forma geral, hoje fala somente no novo presidente dos EUA, Barack Obama, acredito que dentro de alguns meses, muitos acadêmicos vão lançar estudos analisando toda a trajetória da corrida presidencial e principalmente o papel dos veículos de comunicação durante o processo.
Também vale lembrar que a campanha de Obama foi a mais cara de toda a história americana e uma das que mais recebeu dinheiro dos eleitores. Doações que tiveram origem principalmente da internet.
Se formos buscar neste momento traçar um paralelo com as eleições municipais deste ano o candidato a prefeitura de São Paulo Gilberto Kassab, até que tentou utilizar as ferramentas e alardeou que foi eleito com uma campanha Web 2.0, infelizmente não com a excelência americana.Posso até mesmo afirmar, que a campanha do Kassab passou longe de ser uma campanha web 2.0. Eu me lembro que em 2003, no Espírito Santo, uma província tecnologica, eu já utilizava muito mais recursos integrados e funcionando em comunhão, do que a realizada pelo candidato.
Lógico, que não podemos tirar os méritos, traçar as proporções de cada pais, analisar o papel do TSE, mas ainda assim não podemos também creditar como uma campanha web 2.0, o máximo foi uma projeto de marketing que tentou utilizar as novas tecnologias, com um baixo investimento.
Mas voltando aos estudos acadêmicos, lógico e obvio que nas próximas eleições presidenciais vou acompanhar todos os candidatos com uma lupa, para juntar a bagagem das eleições municipais, que serviu de termômetro e buscar traçar um paralelo entre as duas realidades: brasileira e americana.
Alguns pontos já são possíveis concluir depois deste referendo:
- As agências de marketing, publicidade e especializadas em redes sociais, vão precisar mudar suas estratégias e passar a olhar o ambiente virtual com outros olhos;
- Os publicitários e marketeiros vão precisar entender que internet é um veículo de comunicação de massa, com peculiaridades e formato próprio;
- Diferente dos EUA, no Brasil não existe um candidato que será visto como o "salvador", então acreditar em mídia totalmente espontânea e combaixo investimentos no mundo virtual vai ser sonho;
- Vai sair na frente àquele que começar a planejar, investir e mobilizar mais cedo em torno da sua campanha;
- Entender de internet e legislação eleitoral a ponto de saber como burlar todas as regras que impedem a utilização da internet para campanhas políticas, vai ser o grande diferencial para as campanhas digitais.

