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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sua Majestade o Cliente

O Marketing Digital, talvez, seja a única área em que qualquer pessoa com um ano de experiência já é considerado especialista. Esse excesso de amadorismo, que remete aos tempos do sobrinho que sabia fazer ótimos sites, tem gerado trabalhos cada vez mais baseados em achismos e experiência pessoal, e bem menos nas reais necessidades do cliente ou respaldado por algum estudo. Os motivos para essa realidade estar se tornando comum é atua configuração do mercado que tem 80% das equipes formadas por profissionais junior, heavy user e estagiários, e pela síndrome do cliente ter sempre a razão.

Neste contexto, onde o que vale é manter a conta aliada com a necessidade de mostrar números positivos, mas com custos baixos e zero de preocupação com o valor que está sendo agregada a marca, quem tem despontado no mercado é o cliente que sempre, em qualquer época, em qualquer mídia, acreditou e acredita saber mais que os profissionais que atuam no setor, agora, ao observar que para segurar ele como cliente, todas as suas ideias, por mais absurdas, são aceitas, levadas a sério e ainda elogiadas. Eles passaram a se sentir gabaritados para ensinar o trabalho para quem atua no dia-a-dia.

O atual cliente, não importa se é um diretor ou coordenador de marketing, na maioria das vezes tem menos conhecimento, mas é repleto de certezas que acumulou depois de ler vários artigos dessas revistas para gestores e por também ser um usuário das redes sociais, mas fica a pergunta: alguém conhece um grande fazendeiro que aprendeu o trabalho jogando Farmville?

Novos paradigmas. Até pouco tempo o importante era conseguir convencer o cliente a investir no mercado digital. Agora o novo grande problema dentro das agências e educar o cliente que nem tudo que ele vê na página do concorrente pode ser aplicado a sua marca e que o importante não é a quantidade de likes no final do dia, mas sim o que vai ser convertido para a marca, seja na forma de engajamento ou vendas.

Embora, muitos "profissionais" tenham o hábito de afirmar que a quantidade de campanhas mediócres que assinam seja culpa única e exclusivamente do cliente, que já chega afirmando o que deseja e como quer que seja feito, muitas agências trabalham com o lema "o pedido do cliente é uma ordem" e esquecem que uma das obrigações principais quando se pega uma conta é a necessidade de avaliar, analisar, se respaldar em pesquisas reais e delinear a estratégia para não servir apenas para divulgar um produto.

Um pensamento que todo profissional deveria lembrar é que em algum momento todo o investimento vai precisar ser comprovado, nessa hora aqueles pedidos absurdos não conseguirão se transformados em números positivos, nem com a tortura dos números, nessa hora a agência vai perder o cliente e ter a sua imagem arranhada. Quem já esqueceu da agência paulista que depois de anos ainda é conhecida por colocar fakes para melhorar os números de suas ações?

Assim, além de trabalhar pensando não somente em uma ação pontual ou que o cliente é um chato que não aceita nenhuma sugestão porque tudo tem que ser feito da forma como ele quer, o importante é educar o cliente é ter uma relação direta e transparente, mesmo que em alguns momentos seja necessário falar um não.

terça-feira, 20 de março de 2012

Comscore divulga relatório anual sobre a utilização de internet no Brasil


A comScore divulgou o seu relatório anual "2012 Brazil Digital Future in Focus" sobre as principais tendências digitais no Brasil em 2011 e as possíveis implicações dos resultados para o ano. O estudo examina como as tendências mais importantes em mídias sociais, vídeos online, publicidade digital, internet móvel e busca estão definindo o mercado atual e de que modo devem influenciar as ações do mercado durante o ano.

Para Alex Banks, diretor da comScore no Brasil “As mídias digitais alcançaram um novo patamar no Brasil em 2011, impulsionadas por atividades como redes sociais, busca, vídeos e compras online, mostrando cada vez mais consumidores se voltando para a web e gastando uma parte cada vez maior de seu tempo com conteúdo digital”.

O estudo trás dados importantes sobre o mercado digital brasileiro, mas vale lembrar que a medição não contempla a navegação e/ou utilização de computadores em lan house, ainda a principal forma de acesso a grande rede pelas classes C e D. A mensuração desse público pode influenciar e modificar toda essa percepção de utilização das redes.

Alguns dos importantes insights do estudo "2012 Brazil Digital Future in Focus" são:

  • O Brasil é o 7º maior mercado de internet no mundo, com um público de 46,3 milhões de visitantes de 15 anos ou mais que acessam a internet pelo computador de casa ou do trabalho. O número de usuários aumentou 16% em relação ao ano anterior. A população online da América Latina cresceu mais rapidamente que em qualquer outra região em 2011: 16% de aumento, chegando a 129,3 milhões em dezembro de 2011.
  • Os brasileiros passaram em média 26,7 horas online em dezembro de 2011, um aumento de 10% em relação ao ano anterior (equivalente a mais de 2 horas). Os portais foram a atividade online que gerou mais engajamento, com 39,2% do total de minutos em dezembro de 2011, seguidos pelas redes sociais, com 23% – um crescimento de 6,3 pontos percentuais no ano.
  • O Facebook ultrapassou o Orkut em dezembro de 2011, tomando a dianteira entre os destinos de redes sociais no Brasil com 36,1 milhões de visitantes, um aumento de 192% em relação ao ano anterior. O Facebook também foi o site que gerou mais engajamento entre as redes sociais: em dezembro de 2011 os visitantes passaram em média 4,8 horas no site, enquanto no ano anterior a média foi de 37 minutos.
  • Em dezembro de 2011, os brasileiros viram mais de 4,7 bilhões de vídeos online, um aumento de 74% em relação a 2010. O crescimento foi impulsionado por um aumento de 19% em visitantes únicos e de 46% em vídeos por visitante, e ver vídeos se consolidou como uma das atividades online mais importantes.
  • Aquecida pelas compras de final de ano, a visitação de sites de comércio online aumentou 30%, mostrando cada vez mais consumidores na América Latina se voltando para a web na busca e compra de produtos e serviços. Entre as categorias de comércio, Comparação de Preços teve a maior penetração no Brasil, com mais de 1 em cada 3 usuários acessando sites da categoria em dezembro de 2011.
  • 6,9 bilhões de buscas online foram feitas no Brasil em dezembro de 2011, um aumento de 37% em relação ao ano anterior. As buscas tiveram um pico em outubro e novembro, estimuladas por pesquisas relacionadas às compras de final de ano.
  • O mercado de publicidade digital brasileiro continua crescendo. Em dezembro de 2011, 62,9 bilhões de impressões foram veiculadas online no Brasil, alcançando 50,8 milhões de usuários da internet. A Netshoes foi o anunciante líder no mercado, enquanto o Facebook foi o maior publisher no país.
  • Celulares e tablets continuam a mudar o panorama digital, respondendo por 1,5% de todo o tráfego digital no Brasil em dezembro de 2011. Desse total de atividade, mais de 42% das pageviews foram originadas em tablets.





quinta-feira, 10 de março de 2011

O outro lado da campanha Devassa

A última campanha da cervejaria Devassa que tem como garota propaganda a cantora Sandy e lançada no último dia 01/03. Tem aspectos peculiares que permite ser analisada por vários ângulos: do ponto de vista do reposicionamento de marca e público, do impacto nas redes sociais, da escolha do novo rosto da campanha, só para citar alguns.

O primeiro e mais forte aspecto foi contratar uma ex- ídolo teen que conseguiu ao longo da carreira manter uma "áurea" de intocável. Reformular a imagem, afinal, semioticamente mulheres louras demonstram ter um maior apelo sensual em comerciais, e fundir tudo isso para dar um novo rosto para a marca pode ser considerado ousado e arriscado para qualquer marca.



O resultado surgiu no mesmo dia. No mundo "off" jornais, programas de TV e revistas contaram detalhes da transformação, discutiram a capacidade da cantora em assumir o posto, chegaram ao extremo de utilizar "mestres cervejeiros" para ilustrar que pela forma da "nova loira" segurar o copo era impossível ela servir para vender o produto.

No mundo digital o "fail" tomou conta das redes na mesma noite de lançamento e uma grande legião de fãs e os detratores contumazes conseguiram levar o assunto para o Trend do Twitter. Ainda na madrugada, foi postado o primeiro link de um bloco do Conexão Direta, programa da GNT, onde a cantora afirmava não gostar de cerveja. O vídeo de pouco mais de cinco minutos era longo e o público tinha que assistir quase dois minutos para ver uma afirmação de menos de dez segundos.

No dia seguinte pouco depois das 10h, um novo vídeo foi publicado, com 17 segundos onde tinha duas opiniões do público comentando que tipo da bebida a cantora gostava e logo em seguida a opinião enfática de Sandy: "Não gosto do gosto da cerveja. Não importa se com alcool ou sem alcool. Acho o gosto amargo. Gosto de bebida docinha."


A Cauda Longa inversa
O vídeo no primeiro dia de publicação não teve muita visibilidade, os links que acompanhavam as discussões era direcionado para o original da GNT. No segundo dia, a expectativa era que o vídeo editado continuaria com baixa visualização. Na postagem desse segundo vídeo pode-se observar um cuidado na utilização das mesmas tags do original, um dos motivos que deixaram ele linkado aos filmes originais, mas ainda assim não tinha ultrapassado duas mil visualizações.

Durante a tarde o blog Kibeloco postou o vídeo. Em duas horas já tinha mais de 25 mil visualizações. As visualizações atingiram 120 mil usuários únicos vendo o vídeo simultaneamente o que colocou o mesmo na capa do Youtube como um dos vídeos mais vistos no dia. A cauda longa inversa tinha sido interrompida e ignorada quando um blogueiro relevante se apropriou e virou porta voz de um vídeo que já estava disponível e ignorado pela grande massa há quase 24h.

O impacto foi imeditado, o link postado pelo blogueiro gerou picos de visualizações e disseminação do link pelas redes (Twitter, Yahoo Respsotas, Facebook, Orkut, Fóruns e Myspace). No final desse dia o vídeo atingiu 500 mil visualizações, mais de 650 comentários, mas o fato pitoresco durante o crescimento do vídeo foi que a cada inserção do comercial original na TV, nos 30 minutos seguintes, o vídeo tinha picos de até 7 mil visualizações.

Uma clara demonstração que o digital e o offline já caminham juntos. O público acostumado com os adicionais oferecidos em campanhas já se habituou a buscar esses complementos nas redes sociais.

O capital social
Enquanto o vídeo crescia em visualizações, nos comentários uma discussão de pessoas pró e contra a nova loura no comercial da cervejaria prometia transformar o espaço em um fórum de discussão sobre celebridades anunciando produtos, o autor do vídeo tinha uma outra percepção. O perfil que tinha apenas três amigos, em menos de 48h já tinha mais de 200 solicitações de amizades e várias mensagens pessoais e outras tantas mensagens com vídeos respostas, que buscavam conseguir destaque com os bons números de visitas que o vídeo estava alcançando.

Os primeiros pedidos de amizades que foram aceitos, logo em seguida era acompanhados de mensagens, dos novos amigos, com solicitações para a divulgação de vídeos. As mensagens pessoais na maioria eram agressões ao autor, as demais se dividiam entre pedidos para ajudar novos cantores e comediantes, convites para parcerias em novos serviços de divulgação de vídeos e outras pessoas buscando detalhes de promover os seus próprios vídeos.

Em contrapartida, foi possível perceber que o capital social ficou fechado e restrito ao Youtube. Apesar de no perfil pessoal do autor do vídeo conter o link para o Twitter onde, inclusive, é possível mapear as outras redes da qual ele faz parte. Nenhum destes novos amigos ou agressores dirigiu qualquer comentário ou se associou ao perfil.

Uma evidente demonstração que o capital social se fechou na rede. As informações, histórico ou qualquer outra referência passou a ser irrelevante. Só importava que o autor era responsável por um vídeo que atingiu mais de 500 mil visualizações em menos de três dias.

Alguns números
O blog do Kibeloco gerou 169 mil visualizações em apenas três dias;
A página inicial do Youtube em apenas um dia gerou 212 mil visualizações;
Os vídeos oficiais da cervejaria geraram pouco mais de 10 mil visualizações;
As visualizações por dispositivos móveis representaram 6.451 visualizações em apenas dois dias;
O Facebook demonstrou ser mais eficaz e foi responsável por 4.119 visualizações; O Twitter gerou apenas 1.994;
O vídeo ficou como o quinto mais visto da semana
Os pedidos de amizade ao autor somaram 248 em apenas dois dias.

Conclusões
Afirmar que a campanha foi um sucesso seria especulação, falar que a cervejaria conseguiu transferir o capital social da cantora para o seu produto idem. Entretanto, fica claro alguns pontos:
- O buzz pelo buzz é uma estratégia arriscada, que pode gerar prejuízos para a marca irreparáveis;
- A crença que a grande massa segue os seus ídolos cegamente, ainda é ilusão. Eles conseguem gerar o burburinho e até mesmo a vontade do público em conhecer o produto, mas o gráfico de vendas vai ser apenas uma pirâmide;
- Fazer campanhas sem pensar na repercussão digital demonstra ser o grande problema dos publicitários nos dias atuais. Os picos que foram demonstrados quando o comercial era exibido na TV é um claro exemplo que a convergência, para o público, já é uma realidade.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fiat inova e investe no público GLS

Uma das maiores paradas gays da Europa acontece anualmente na capital espanhola, Madrid. De alguns anos para cá, não apenas o número de participantes tem aumentado, mas também a quantidade de marcas “simpatizantes” a desfilar, de forma mais ou menos discreta, no megaevento.

Neste ano a Fiat da Espanha produziu cinco modelos do Fiat 500 e Fiat 500C especiais para a ocasião. Os criadores dos modelos GLS criaram os perfis "urso", "couro", "Drag Queen", "lésbica" e "cool". O carro já havia sido eleito revista francesa Ledorga já havia eleito como o “Carro gay do ano”.

Certo mesmo é que o Fiat 500 caiu no gosto dos consumidores. Apenas 21 meses após seu lançamento, mais de 500 mil unidades já haviam sido comercializadas. Os três países onde o 500 mais vende são respectivamente Itália, França e Grã Bretanha.

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